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02-07-2006 08:30 Pirataria: um dia há-de acabar! ( 1971 ) views
A última edição do estudo anual sobre a pirataria de software da Business Software Alliance (BSA) e da IDC analisou o estado mundial da pirataria, examinando sistemas operativos, aplicações de controlo financeiro, bases de dados e outras aplicações de uso pessoal, que funcionam em desktops, portáteis e computadores ultra-portáteis, como os jogos.
Na sua pesquisa, a primeira impressão da IDC, tendo em conta os esforços mundiais no combate à pirataria de software, é a de que aparenta existir uma pequena redução no índice global de pirataria de software mundial no ano de 2005. Apesar do empenho demonstrado no combate a este género de crime, o índice global de pirataria de software em computadores pessoais (PC) permaneceu estável em 2005, mantendo o índice do ano anterior de 35 por cento mas as perdas aumentaram cerca de 1,27 mil milhões de euros (1,6 mil milhões de dólares) totalizando um prejuízo total de 27,3 mil milhões de euros (34,3 mil milhões de dólares).
Em relação ao total de máquinas distribuídas, os valores a nível mundial, registaram um aumento de 16 por cento em 2005, enquanto os números relativos às licenças de software se mantiveram no mesmo patamar. De acordo com o estudo, «o aumento das perdas ocorreu em razão do crescimento do mercado em geral; enquanto o mercado de software cresceu sete por cento, as perdas decorrentes da pirataria cresceram apenas cinco por cento». Os dados analisados indicam que por cada dois dólares de software comprado legitimamente em todo o mundo, um dólar foi obtido ilegalmente.
No desenvolvimento deste estudo, a IDC usou estatísticas proprietárias referentes a remessas de software e de hardware, entrevistou fabricantes, utilizadores e revendedores, e mobilizou analistas da sua própria estrutura em mais de 50 países para rever as condições dos mercados locais.
Economia prejudicada
A pirataria de software tem consequências económicas directas na indústria das TI. São os casos do enfraquecimento das indústrias de software locais devido à concorrência desleal de software pirata vindo de outros países e da perda de receitas de impostos e de empregos, devido à falta de um mercado legalizado e à ineficiente aplicação de sanções. Estes custos causam impacto em toda a cadeia produtiva e distributiva da economia.
Em Dezembro de 2005, foram divulgados os resultados do segundo estudo patrocinado pela BSA sobre os impactes económicos gerados pela redução da pirataria. A partir deste documento, a IDC concluiu que com a redução de 10% no actual índice de pirataria de software nos próximos quatro anos poderiam ser gerados mais de 2,4 milhões de novos empregos e haveria uma receita de impostos na ordem dos 56 mil milhões de euros (70 mil milhões de dólares) em todo o mundo.
Segundo a IDC, para cada dólar gasto em software, há pelo menos mais 1,25 dólares gastos em serviços de design, instalação, customização e suporte do software.
Portugal perde 83 milhões de euros
Em Portugal, o presidente da Associação Portuguesa de Software (ASSOFT), Manuel Cerqueira, alerta para a necessidade de quantificar as situações ilegais provocadas por outros agentes que são intervenientes directos nas tecnologias de informação. São os casos das organizações que trabalham com a chamada linha branca, que assemblam componentes até chegar ao sistema final, ou das organizações e indivíduos que apresentam as suas listas de produtos pirateados nos sites de leilões.
Tendo em conta estas especificidades, a ASSOFT estima que a pirataria de software em Portugal atinja um valor adicional de 12 % que deve adicionar-se aos 43% apurados pela BSA e pela IDC na análise dos embarques de hardware de marca tradicional e aplicações regulares para o nosso país, ou seja, a percentagem de pirataria de software em Portugal chega a 55%. Este valor corresponde a perdas na ordem dos 83,2 milhões de euros (104 milhões de dólares). Nestes valores não estão incluídos os impostos directos que o Estado poderia cobrar – 21% de IVA representariam 17,47 milhões de euros que escaparam ao cofres do Estado.
«Não podemos esquecer ainda o impacte negativo que estes números têm na criação e desenvolvimento das empresas assim como na criação de postos de trabalho», comenta Manuel Cerqueira, que considera que nalguns países, nomeadamente em Portugal, «continuamos a assistir a condenações de tal modo irrelevantes que os utilizadores de software pirata rapidamente as ultrapassam nos seus custos operativos».
Segundo o presidente da ASSOFT, está a conseguir criar-se um grau de consciencialização dos juízes e magistrados «no sentido de prestarem o devido valor e atenção a este tipo de crimes». Por outro lado, Manuel Cerqueira deixa o aviso: «Apesar de o software ser reconhecidamente um valor essencial quando utilizado como uma ferramenta empresarial, cerca de um terço de pacotes de software disponíveis são de origem pirata. A passividade e a cumplicidade dos utilizadores representa pactuar com uma situação ilegal, ou seja, é o mesmo que um roubo».
Panorama mundial
Neste estudo, a IDC salienta que existem factores que podem contribuir para a existência de diferenças regionais no índice de pirataria. Entre essas causas encontram-se a eficácia da protecção dada à propriedade intelectual, a disponibilidade de software pirata e as diferenças culturais. Para além disso, a pirataria não é uniforme dentro de um país, uma vez que varia de uma cidade para outra, de um sector para outro e de uma região demográfica para outra.
«Infelizmente, as regiões com alto índice de pirataria são também as regiões que apresentam o maior crescimento no mercado», refere o estudo. Este facto é importante quando se tem em conta que por exemplo em países como os EUA, o Japão ou a Inglaterra se espera um aumento nos investimentos em tecnologias de informação na ordem dos 5% nos próximos cinco anos, e que países com economias emergentes como a Índia, a China ou a Rússia esperam um crescimento deste investimento entre os 15 e os 20%.
De referir que os mercados emergentes das regiões Ásia – Pacífico, América Latina, Europa de Leste, Médio Oriente e África representam 30% das remessas de PCs, mas apenas 10% dos gastos dizem respeito a software.
No âmbito global, as empresas e os consumidores individuais vão gastar cerca de 239 mil milhões de euros (300 mil milhões de dólares) em software no decorrer dos próximos quatro anos, segundo as previsões da IDC.
Considerando o actual crescimento dos mercados dos países e dos seus índices de pirataria, a IDC estima que neste mesmo período de quatro anos se terá pirateado um volume de quase 159 mil milhões de euros (200 mil milhões de dólares) em software em todo o mundo.
Na Europa Ocidental, a distribuição de PCs para os países do Sul – Itália, Espanha e Portugal – superou o crescimento de software, o que significa um aumento da pirataria. Nesses países, e ainda na França, a pirataria deve-se ao grande número de utilizadores individuais e a pequenas empresas, o que dificulta o seu combate.
A estes factos acresce a facilidade com que se encontra e disponibiliza softwares piratas através da Internet e das redes ponto-a-ponto (P2P). Mais de 60% do tráfego da Internet é representado pelo download em redes P2P. As estimativas da IDC dizem que em 2006 existirão 100 milhões de novos utilizadores da Internet, o que quer dizer que até ao final do corrente ano o número total de utilizadores chegará a mil milhões.
O maior crescimento de utilizadores na Internet ocorrerá em mercados emergentes: entre o final do ano de 2005 e 2009, mais de 100 milhões de novos utilizadores de Internet virão da China, Índia e Rússia. A pirataria online é facilitada por aumentos nas velocidades de transmissão, uma vez que conexões mais rápidas facilitam aos utilizadores o envio e a obtenção por download de arquivos maiores (como programas de software).
Em 2005 foram instaladas conexões de banda larga em 30 milhões de residências, elevando o número total para quase 160 milhões. Até ao final de 2009 haverá mais de 270 milhões de residências em todo o mundo com conexões banda larga.
fonte: semana informática
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